Hávamál
Oi pessoal, hoje trago um breve comentário sobre o Hávamál, um poema da tradição nórdica, fazendo parte da coleção de poemas da Edda Poética.
Essas obras são canônicos para uma das religiões que se avivam nas últimas décadas: a Ásatrú, que é o reavivamento da fé nos deuses nórdicos.
Essas obras foram escritas na Islândia no século XIII, seus autores nunca foram descobertos mas sabemos que foram ensinamentos passados por tradição oral ao passar dos séculos.
Focando no Hávamál que significa "os ditos do mais alto" ou popularmente como "as palavras do altíssimo", a figura central da obra é Odin o deus central do panteão nórdico.
Separei alguns versos do Hávamál para comentar.
6) De sua inteligência o homem não deve se vangloriar mas ser cauteloso sobre os pensamentos; quando um sábio e silencioso vêm até uma habitação, raramente o mal recai sobre o cuidadoso, pois melhor amigo nenhum homem conseguirá do que a grande sabedoria.
Olha o choque de sabedoria nordica, primeiro que o homem nunca deve se apoiar no seu próprio entendimento, algo que vemos em tudo que é tradição antiga, como Ptahhotep, Salomão e Pitágoras.
Segundo que no verso faz apologia ao filósofo "melhor amigo nenhum homem conseguirá do que a grande sabedoria".
Não existe coisa melhor do que ser filósofo, ser amigo da sabedoria.
11) Melhor fardo nenhum homem carrega no caminho do que muito bom senso; pior provisão para levar pelo caminho é a bebedeira e a cerveja.
12) Não é assim tão boa, como dizem ser tão boa, a cerveja para os filhos dos homens, pois menos o homem sabe -quanto mais ele bebe- de seus pensamentos.
E olha só, a gente tem uma idéia meio que estereotipada dos vikings e nórdicos em geral, como um povo da bebedeira e achamos que não tem advertência alguma nessa tradição, porém não, essa exortação sobre a sobriedade que o homem deve ter é atribuida ao deus Odin, e fica para todo pinguço em qualquer lugar do mundo.
47) Há muito tempo, eu era jovem, eu viajei sozinho e então acabei me perdendo no caminho: me considerei rico quando encontrei outro, o homem é deleite do homem.
Pensa bem, nenhum homem cresce sozinho, mesmo que você não mantenha contato físico, livros, músicas e seja lá qual for o entretenimento, os homens estão presentes, como autores das obras.
Lembro de um provérbio de Salomão que diz: O homem cresce com o homem assim como o ferro afia o ferro.
76) O gado morre, parentes morrem, do mesmo modo eu mesmo morrerei; mas o renome nunca morre daquele que obtém boa fama.
Veja por exemplo os grandes mestres do passado que falam até hoje, Sócrates no século V a.C, Siddharta Gautama no século VI a.C, Salomão no século X a.C, Ptahhotep que vem de um tempo muito remoto, no século XXV-XXIV a.C, sua sabedoria permanece viva até hoje.
115) Eu lhe recomendo Loddfafnir (...) trocar palavras você nunca deve com um estúpido.
124) Confiança é então trocada quando alguém pode dizee para o outro todos os seus pensamentos. Tudo é melhor do que ser enganado: não é amigo do outro aquele que diz apenas o que o outro quer ouvir.
Isso funciona como uma cobrança sobre a gente de ser verdsdeiro com nosso próximo, todo mundo sabe que é difícil arrumar amigos verdadeiros, o problema é que todo mundo cobra mas poucos querem ser verdadeiros, não fazem a sua parte.
E pra terminar, escolhi este verso que resume a sabedoria nórdica:
128) Eu lhe recomendo Loddfafnir (...) contente com o mal nunca fique, mas que você se satisfaça com o bem.
Que sejamos satisfeitos pela própria virtude e não pelos subprodutos que se geram, Aristóteles dizia que a virtude é completa por si só, então que possamos nos satisfazer com o bem independente do reconhecimento ou remuneração.
Vou deixar aqui embaixo o e-book para quem quiser baixar a obra completa do Hávamál. Até a próxima
https://drive.google.com/file/d/1YIGVeDJ6UWC1CctzX2efmy6HD6glbmqE/view?usp=drivesdk
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